Dispositivos Fotoelétricos
Os dispositivos cobertos nesta discussão são os seguintes: Eles são mostrados em ordem de sensibilidade crescente. A Célula Foto-elétrica é o menos sensível enquanto que o Foto Transistor Darlington é o mais sensível:


        A Célula Foto-elétrica (Foto-Resistor - LDR)

        O LDR (Light Dependent Resistor - Foto-célula) 

        A Célula Fotovoltaica - célula solar - produz uma saída de voltagem 

        O Foto-Diodo

        O Foto Transistor

        O SCR ativado por Luz

        O Foto FET
        O Foto Transistor Darlington



Todos os dispositivos fotoelétricos na Biblioteca de símbolos de Circuitos serão descritos juntos neste artigo, pois todos fazem a mesma coisa - detectam luz. O diagrama abaixo mostra os símbolos dos dispositivos que nós iremos cobrir:

Todos os dispositivos foto-elétricos operam de maneira muito similar a um resistor variável. Quando não estão recebendo luz, eles têm uma resistência ALTA. Quando a iluminação é mais forte, eles apresentam resistência BAIXA
O diagrama abaixo mostra como o circuito enxerga o dispositivo Foto-elétrico. A saída é tomada entre o dispositivo e o resistor de carta. O resistor de carga também pode ser chamado de um resistor de “parada” ou “limitador” uma vez que ele limita a corrente usada pelo dispositivo quando ele está detectando alta luminosidade.   
Nota: a saída se apresenta em ‘queda’ à medida que a luminosidade brilho aumenta. Isso significa que a voltagem de saída aparece na proporção em que a iluminação aumenta e deve ser detectada pelo próximo estágio do circuito. Veja mais detalhes da Página 2

 

A única maneira de trabalhar com um dispositivo que você precise para uma aplicação em particular é construir um circuito experimental.
Há uma vasta variedade de dispositivos fotoelétricos no mercado, mas muito poucos são disponíveis no varejo e não há um modo de comparar a sensibilidade relativa de cada um deles a partir dos parâmetros fornecidos com cada dispositivo. Assim, você precisa realizar um teste real, físico. 
O circuito de testes mais simples é conectar cada dispositivo à faixa de alta-resistência de um multímetro. O diagrama abaixo mostra esse arranjo e como o multímetro vai reagir quando o dispositivo detectar a presença de luz. 

 


 

Nota: O multímetro está ligado corretamente pois o pólo negativo do multímetro é ligado ao polo positivo da bateria no interior do medidor.

Para mais detalhes sobre usar um multímetro para testar componentes como transistores, clique AQUI.

Existem basicamente três tipos de dispositivos fotoelétricos. Baixa, média e alta sensibilidade. Os componentes de baixa sensibilidade são a Foto-Célula e o Foto-Diodo. O de média sensibilidade é o Foto Transistor e os componentes de alta sensibilidade são o LASCR (SCR ativado por luz), o Foto FET (Transistor de efeito de Campo) e o foto transistor Darlington. Quando comparar esses três grupos você será capaz de ver o movimento relativo da agulha do multímetro. 

 

DUAS CONDIÇÕES 
Componentes fotoelétricos operam basicamente sob duas condições diferentes. A Condição 1 é a mudança da escuridão para a luz (ou da luz para a escuridão). A Condição 2 é a mudança a média luminosidade para uma situação mais brilhante (ou de uma situação mais brilhante para uma mais escura
Para a primeira, quando o componente fotoelétrico está conectado ao multímetro a agulha mal irá se mover quando ele estiver no escuro e produzir praticamente a escala completa quando estiver sob luz forte. Na segunda condição a agulha irá ficar em alguma parte da escala e mover-se apenas ligeiramente. 
Ela se movimentará muito pouco para um LDR. Vai apresentar um movimento mais amplo para um foto transistor e ainda mais forte para o Foto transistor Darlington. 
Dependendo da quantidade de movimento, você tem a escolha de usar um componente mais sensível, mais caro, ou um componente com baixa sensibilidade com um ganho adicional fornecido por um estágio de amplificação..  
Em alguns casos o componente de alta-sensibilidade sai mais barato do que o arranjo para o de baixa sensibilidade com o estágio de amplificação, de forma que isso pode influenciá-lo em sua escolha. O resultado final vai depender da adequação, da disponibilidade do componente, e do custo.
Nenhum dos componentes acima produz uma voltagem de saída. Eles apenas mudam sua resistência quando detectam a presença de luz. O único componente que produz uma voltagem na presença de luz é a célula foto-voltaica. Ela é uma célula solar e produz tanto voltagem quanto corrente quando exposta à luz. À medida que a luz aumenta, a voltagem aumenta também, mas a característica mais importante é a corrente. Quando corrente e voltagem são produzidas, dizemos que a célula é capaz de entregar ENERGIA
Células solares individuais podem ter uma saída de voltagem de 0,45 ou mais (na verdade, quase qualquer voltagem). O fato prático é que uma série de peças de material semicondutor é ligada em série ou paralelo com a célula para a produção de voltagem e corrente. 
As células também podem produzir saída de corrente de poucos miliampères até centenas de miliampères. Isso se dá devido a conexão de muitos componentes semicondutores no interior do componente. A característica de cada célula solar é fornecida no momento da sua compra. 
Uma célula solar não produz muita saída (corrente) sob a iluminação ambiente de um cômodo, por exemplo, e são bastante grandes em tamanho. Isso pode influenciar a sua decisão para usá-las ou não como detectores de luz.

QUAL TIPO EU DEVO USAR?
Devido à falta generalizada de dispositivos fotoelétricos em lojas para hobistas, o circuito que você escolherá vai depender  dos tipos disponíveis. Exatamente por essa razão, nós não podemos fornecer um modelo ou especificações sobre um componente em particular. Todos os circuitos em nossa discussão são de natureza geral. 
        Algumas vezes é mais barato adquirir um “kit de hobista” com tipos variados ou ir para uma loja de saldos, pois algumas vezes componentes novos, originais são muito caros. 
Estas notas foram escritas para ajudá-lo a reconhecer “foto” transistores e diodos, e mostrar circuitos típicos onde são usados. 
Um ponto a se observar é o número de terminais em um dispositivo fotoelétrico. Tanto os transistores como os diodos possuem dois terminais, uma vez que a base do foto transistor não é conectada a nenhum circuito externo, não sendo necessária no exterior do componente. Isso torna extremamente difícil dizer a diferença entre um foto diodo e um foto transistor. Na realidade é impossível sem que se teste o desempenho de cada um.
Um foto transistor será entre 10 a 100 vezes mais sensível do que um foto diodo. 

 O FOTO TRANSISTOR
O Foto Transistor é um transistor normal, em um corpo plástico. Se esse corpo for escuro, o transistor irá responder apenas à luz infravermelha – caso contrário, responderá tanto a luz normal, quanto à infravermelha.

Todos os transistores vão responder à luz e por isso eles têm que estar em uma embalagem vedada à entrada de luz se você não quer essa resposta. O material de silício que compõe as junções em um transistor muda de resistência quando ele “vê” a energia de uma fonte de luz, e essa mudança é detectada entre os terminais coletor e emissor. 

Algumas vezes um segundo transistor é montado dentro do mesmo corpo e isso amplifica a mudança de resistência para produzir um dispositivo ainda mais sensível.  Essa combinação é chamada de FOTO TRANSISTOR DARLINGTON.  
Há também a disponibilidade de dois componentes menos sensíveis. Eles são o FOTO DIODO  e o FOTO RESISTOR (Também chamado de LDR – light dependent RESISTOR).
Alguns componentes detectam a luz visível, enquanto que outros detectam o infravermelho.

Conseguir que um circuito de detecção de luz funcione requer um pouco de experimentação. 

Você precisa determinar se o componente que está usando é sensível o bastante para a aplicação e ajustar o circuito para as condições de luz em que irá operar.

O circuito acima pode ser ajustado de forma que praticamente qualquer nível de luz seja detectado. Quando a presença de luz é detectada pelo foto transistor MEL-12, a resistência dele DIMINUI. Isso significa que o nível de voltagem no lado esquerdo do eletrolítico de 10µ é trazido abaixo em direção ao pólo de 0v da grade. Isso faz o lado direito do eletrolítico cair. O resultado é que o nível de voltagem na base do primeiro transistor é REDUZIDO. Isso DESLIGA o transistor. O segundo transistor é LIGADO e a voltagem no ponto “X” muda de LOW para HIGH. Esse balanço na voltagem é passado para o gate CD 4011 NAND para operar um circuito adicional. 
O mini trimpot de 50k altera o ganho do foto transistor. Ele torna o transistor mais sensível à medida que a resistência no trimpot é diminuída. O resultado é que a queda de voltagem no lado esquerdo do eletrolítico de 10µ é maior para qualquer mudança ocorrida na luz e isso significa que uma mudança bem pequena na luz vai acionar o circuito. 
O circuito detecta apenas um AUMENTO NA LUZ. Quando a fonte de luz é removida ou reduzida, o circuito não responde. 
O circuito abaixo é projetado para detectar quando a fonte de luz é DESLIGADA

No circuito a seguir, o estágio A-D e o gate 4011 NAND foram substituídos por um Trigger Schmitt. Para detalhes sobre o Trigger Schmitt clique AQUI
O foto transistor MEL-12 é conectado diretamente à saída do gate Schmitt e o circuito pode ser ajustado através do mini trimpot de 50k.

 

Quando o MEL-12 recebe luz, a voltagem na entrada do gate Schmitt cai de um valor HIGH – alto – para  LOW – baixo. Para o circuito funcionar o valor baixo deve ser 33% da voltagem de grade ou menos. 
Quando a fonte de luz é removida do MEL-12, a voltagem na entrada do gate Schmitt sobe para um valor HIGH. Para que o gate altere seu estado, a voltagem deve subir para 66% da voltagem de grade ou mais. 
A animação abaixo mostra como o mini trimpot altera o ganho do foto transistor.

 


 

Se a mudança na intensidade de luz não é suficiente para acionar o gate Schmitt, você pode acrescentar o estágio A-D descrito acima e o eletrolítico de 10µ..

A aparência geral dos componentes fotoelétricos varia de acordo com o fabricante. O diagrama abaixo mostra alguns dos componentes que estamos cobrindo:
A maior parte dos componentes possui um terminal longo e um curto para facilitar a identificação, bem como uma “área achatada” perto de um terminal, ou ainda um corte no corpo. Alguns possuem uma lente para indicar o lado frontal. O LDR, a Célula fotoelétrica e o foto resistor podem ser ligados em qualquer direção em um circuito. 

É impossível oferecer um “circuito universal” com valores de componentes para os dispositivos fotoelétricos, pois cada um difere enormemente dos outros e as condições de luz para a sua aplicação são desconhecidas. 
A única coisa que podemos fazer é explicar como um circuito funciona assim você pode saber qual componente alterar de forma que o componente fotoelétrico que escolheu, tenha a voltagem correta para funcionar.
No diagrama a seguir nós temos três diferentes resistores de carga. 

 

A animação abaixo mostra cada circuito respondendo à variações na intensidade de luz. O dispositivo é um foto transistor Darlington, mas, exatamente o mesmo “balanço” acontecerá com um foto transistor ou um foto diodo. A partir dessa animação você poderá ver o efeito de valores baixo, médio e alto, para a resistência de carga. O resistor de carga determina a voltagem através do dispositivo como nós já explicamos que o componente fotoelétrico age exatamente como um resistor variável, assim o circuito tem na verdade dois resistores em séria, com o ponto médio sendo o ponto de “partida”. 


 

A saída do dispositivo fotoelétrico com 3 resistores de carga diferentes. 

O valor real da voltagem através do componente dependerá da voltagem de alimentação e do nível de luminosidade. 
No primeiro caso, a voltagem permanecerá bastante “alta” e “cairá” à medida que a luminosidade aumenta. 
No segundo caso a oscilação será grande. 
No terceiro caso a voltagem será baixa, e cairá muito pouco.
No primeiro e segundo casos, o ganho do transistor é alto e esse é o seu objetivo se você quer que o circuito seja SENSÍVEL. Em termos técnicos o transistor tem o maior ganho. O modo mais fácil para chegar ao melhor ajuste para o estágio é colocar um potenciômetro no circuito. Você também precisará um resistor de “parada” para prevenir excesso de corrente quando o dispositivo estiver em condução máxima.
Comece com um potenciômetro de 100k e um resistor de parada de 1k. Experimente com o circuito e se o potenciômetro estiver muito difícil de ajustar – o menor ajuste altera bastante as condições do circuito – você pode reduzir o valor do potenciômetro e aumentar o resistor de parada. Em outras palavras, mais voltagem será entregue através do resistor e menos através do potenciômetro. Isso significa que o potenciômetro se torna um “trimpot” e girando sua haste para um lado e para outro, adiciona ou remove apenas uma pequena quantidade na resistência. 

O QUE ESTAMOS REALMENTE FAZENDO?
        Ajustando o potenciômetro, nós estamos alterando o resistor superior, do divisor de voltagem. Os resistores formam uma parte do divisor de voltagem e o componente fotoelétrico forma a parte de mais baixa resistência do divisor. Há um outro fator que entra na equação. O componente fotoelétrico terá uma diferença ligeira na resistência (para um nível particular de luminosidade), dependendo do fluxo de corrente através do circuito divisor. Mas isso é o mais longe que podemos ir sem entrar em termos muito mais técnicos – e eu prometi que o curso seria totalmente livre de complexidades matemáticas. 
A única coisa que você realmente tem que saber é isto: Como configurar as condições do ‘estágio’ para a faixa de luminosidade.
Será necessário um pouco de experimentações para o circuito funcionar exatamente como requerido.